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Do Cafofo do Dezena - Crônica Viva - Detalhes
São João da Boa Vista|cultura|08/05 11:21|85 visualizações
Vento, ventania. Caminhamos para o meio do ano e logo fecharemos o primeiro semestre. Olho para o relógio e são seis da manhã logo bate meio-dia, depois cai a tarde. Se não bastasse o monte de problemas que a vida nos traz, nosso planeta parece girar como pião nas rodas da infância. O sol nasce atrás de um prédio, onde mora Mário Rita, e, de repente, morre do outro lado, atrás da casinha do Alberto.


Mas hoje, o dia precisa ser mais duradouro. Não nos esqueçamos de que é festa para as mães. E o presente? Lembro-me de que comprei uma Bíblia enorme, daquelas repletas de ilustrações, para a minha mãe com o primeiro salário de bancário. Infelizmente, ela partiu há alguns anos, traída por uma queda, no quintal da sua casa. Quem poderia esperar? Um trágico detalhe. Mas comemoro a mãe dos meus filhos. O restaurante está reservado. Posso sentir o cheiro do almoço atravessando o salão nas mãos ágeis dos garçons. Geralmente, como descendentes da "bota", aportamos em uma cantina italiana. A massa fresca ao molho de vôngoles é a pedida preferida da Luciane. Se ela é fiel ao prato, eu me aventuro pelo cardápio.


O cerimonial é importantíssimo. Cada um conta um pouco da vida entre abraços e beijos. O tempo ligeiro se estanca por algumas horas e curtimos o momento. Breves sorrisos, o toque na mão, a selfie grudada na memória. O trabalho faz parte, a academia também, mas são os detalhes ao viver que nos fazem bem. Como em uma colcha de retalhos. De pequenos poemas é que se constrói o mais belo livro. A vida não é a Ilíada ou Os Lusíadas.


Detalhes tão pequenos de nós dois são coisas muito grandes para esquecer. Gosto e seria capaz de fazer uma coletânea de músicas do Roberto Carlos, principalmente das antigas. Até nele, que embalou tantos pares românticos, o tempo agora aparece no intervalo entre uma nota e outra.


Durante a semana, escutei, na rádio CBN, uma reportagem sobre a um novo tratamento proporcionaria a vida eterna. Não sei se a quero eterna para mim. A eternidade é muito longa para este corpo de homem, mas, certamente, gostaria que a minha mãe a tivesse.
 
Fernando Dezena

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